Mesa-redonda: “O profissional com deficiência visual no mercado fonográfico – uma política de inclusão social.”

Ocorrida na Associação Baiana de Cegos-ABC (Barris-Salvador), em 18 de julho de 2008, às 16:00 e entrada franca, a mesa-redonda, parte integrante do evento de lançamento das atividades do projeto “...sob o olhar de Torradeiras Voadoras.”, teve como cerne o debate como a comunidade de deficientes visuais pode ser inserida no mercado fonográfico – principalmente de maneira profissional. Mediada por Gabriel Franco (integrante da banda A Odissséia das Torradeiras Voadoras, professor de música graduado e profissional de áudio) e contando com as participações de João Bosco Dias Santa Rosa (presidente da ABC e membro atuante do Instituto de Cegos da Bahia-ICB), Sheila Uzêda (psicóloga do ICB e Mestre em Educação pela UFBA), Bete Pontes (representante da Fundação Cultural do Estado da Bahia-FUNCEB); a mesa-redonda ainda previa a presença de Fernando Gundlach (presidente da Associação Brasileira dos Profissionais de Áudio–ABPAudio, Divisão Nordeste, professor e coordenador da dB Cursos de Áudio – Salvador-BA), que, infelizmente, por motivos de força maior foi impossibilitado de estar presente.

Antes do início da mesa-redonda, Gabriel Morais (integrante da AODTV e literário premiado) fez as honras da casa, atuando como anfitrião  do evento, fazendo um pequeno informe sobre o projeto, sua natureza, objetivos e atividades. Em seguida, em substituição a Fernando Gundlach, Gabriel Franco (membro da ABPÁudio e professor-coordenador do Curso de Iniciação a Técnia de Áudio) iniciou uma breve palestra sobre o mercado fonográfico, traçando um panorama entre as atividades existente no meio, tanto a nível mundial, como nacional e local. Logo após, Sheila Uzêda realizou uma bela apresentação onde explicou com se encontram, atualmente, os meios de inclusão social através da educação especial, traçando um breve panorama sobre as legislações vigentes. Em seguida, a palavra foi passada para Bete Pontes que comentou sobre como estão sendo desenvolvidas políticas públicas pela FUNCEB (apoiadora do projeto) e outros órgãos governamentais, que tenham relação com o mercado musical, dentre outras áreas culturais relacionadas. Por fim, falou Bosco, sobre as realidades das instituições que trabalham com pessoas com deficiência visual, assim como os meios de acessibilidade através da tecnologia com estão sendo desenvolvidos, e a realidade da pessoa com deficiência visual com o mercado de trabalho de forma geral.

Após todas as explanações, a mesa foi aberta para debates com perguntas vindas do público, que, felizmente, super lotou o espaço, chegando-se ao ponto de ser necessária a permanência de algumas pessoas de pé. Um dos pontos principais que foram postos em voga neste evento foi à relação profissional latente que uma pessoa com deficiência visual possui com o meio fonográfico (seja ele musical ou não), devido  ao seu senso auditivo naturalmente apurado, abordando-se assim uma perspectiva de inclusão desta parcela da população nesta fatia do mercado de trabalho que ainda se encontra, pelo menos no universo baiano, inexplorada. Esta relação permite também que a pessoa com deficiência visual tome consciência quanto à contribuição do estudo da áudio-tecnologia pode melhorar seu convívio e as relações com suas deficiências e a sociedade. No entanto, as perguntas não se restringiram apenas a estes assuntos pois, também houve curiosidade sobre pontos mais profundos do projeto, com a idealização e os processos de realização, assim como, sobre a carreira d'A Odisseia das Torradeiras Vodoras.

Esta mesa-redonda, como parte do evento de lançamento do projeto, marcou o início dos trabalhos previstos neste. Para finalizar o evento,  A Odisseia das Torradeiras Voadoras realizou um pocket-show com músicas próprias e releituras de outros artistas como Raul Seixas e Jorge Ben Jor, a fim de entreter e apresentar uma amostra de sua produção artística ao público presente - que, diga-se , era formado por, além de pessoas comuns, representantes de órgãos governamentais e entidades relacionadas a pessoas com deficiência visual (como o Instituto de Cegos da Bahia), profissionais  e amadores da classe artísticas e profissionais de educação.

 

 

Aula-show: “O jovem com deficiência visual e sua identidade cultural.”

Uma tarde com muita música, debate cultural e descontração! Esta foi a idéia central da realização da aula-show. Ocorrida no Instituto de Cegos da Bahia, em 08 de agosto de 2008, às 15:00, com entrada franca, esta ação educacional visou despertar num público de crianças e adolescentes, um viés artístico de observância de seu comportamento e seus costumes, e assim procurando atentá-los para o potencial da arte como forma de representação e transformação de seus universos... Resumindo: pensar a arte como um ato de responsabilidade e interação social.

Tendo como ponto educacional a discussão dos parâmetros sociais de identidade, cultura e arte, a aula-show desenvolveu momentos de descontração artística, debates, comentários, e breves workshops sobre conhecimentos relacionados às capacitações dos integrantes da banda (como música, teatro, educação, áudio-tecnologia, literatura, dentre outros), de maneira a intigar nos presentes, a possibilidade de uma nova perspectiva de como “enxergar” a deficiência visual, através de uma relação direta da teoria com a prática dos assuntos lá discutidos.

Além das apresentações artísticas d'AODTV, também se apresentação bandas formadas por alunos do próprio ICB, rque mostraram  possuir  um apuro musical muito bem desenvolvido, o que nos impulsionou, sem rodeios, a parabenizá-los, tanto os alunos, quanto os professores de música do ICB., ainda durante evento. Para finalizar do evento, a AODTV fez uma dobradinha juntamente com os alunos do Grupo de Percussão do ICB, tocando uma música do Ilê Ayiê.

Depois de este comentário, talvez fosse reduntante mencionar que todas as todas as apresentações foram espetaculares... Dlignas do que seria um belo show de teatro, com lotação esgotada.

 

Curso de Iniciação á Técnica de Áudio & Estágio Supervisionado.

Um dos pontos-chaves de todo o projeto, o curso incorreu como via de aprofudamento técnico e teórico de alguns dos assuntos abordadas na mesa-redonda; com carga horária de 48h, este evento deu início a o processo de capacitação profissional, tanto de pessoas com deficiência visual quanto de videntes, através da áudio-tecnologia.

Realizado entre 18/08/08 e 11/09/08, coordenado por Gabriel Franco e ministrado pelo mesmo juntamente com Fernando Gundlach (idealizador, diretor-coordenador e professor da dB Cursos de Áudio / Diretor da Divisão Regional da ABPAudio-Nordeste), e com o apoio incondicional da empresa João Américo Sonorização, o curso seguiu-se calçado em práticas pedagógicas que foram baseadas na teoria sócio-construtivista e nas tendências pedagógicas crítico-social dos conteúdos e libertária, que possuem como uns dos seus maiores expoentes, respectivamente, Lev Vygotski, José Carlos Libâneo e Paulo Freire. Desta maneira, foi utilizada uma didática na qual, através de debates e temas geradores (ambos contextualizados com a realidade dos educandos), os conteúdos foram contemplados na medida em foram sendo relacionados às praticas profissionais.

Os objetivos do curso foram:

  • Problematizar a atuação profissional do técnico de som (que será realizado através de discussões, contextualizações histórico-sociais, e questionamentos político sociais sobre o meio);
  • Compreender conteúdos básicos de áudio-tecnologia (como acústica e eletricidade básica, dentre outros);
  • Conhecer quais os tipos de equipamentos e técnicas básicas de áudio-tecnologia (alguns exemplos: formas de captação e processamento, sistemas básicos de sonorização e de gravação);
  • Capacitar os educandos através de trabalhos práticos como: de gravações de leituras de textos, mixagens de músicas (base de atividade bastante significativa, visto que o ICB já possui vários grupos musicais), dramatizações (base de atividade bastante significativa, visto que a própria ABC já possui um grupo de teatro), entre outros.

O CITA contou com a participação de dezesseis educandos, fossem videntes ou pessoas com deficiência visual - dentre eles, músicos profissionais e amadores, aspirantes profissionais em áudio, funcionários do setor braile da Biblioteca Pública de Salvador, situada nos Barris (ex-Biblioteca Central), e curiosos. Durante o curso, foram selecionados dois estagiários / bolsistas que estão vivenciando exercícios práticos da da áudio-tecnologia, ao acompanhar todo o processo de gravação, mixagem e masterização do disco e do EP Digital do projeto, na função de Assistentes Técnicos. Para tal, os estagiários selecionados contam com a orientação pedagógica e técnica de Gabriel Franco (que além de integrande da banda, também é o Produtor Musical/Fonográfico, Diretor Musical e Técnico de Áudio das gravações do projeto) durante as sessões de trabalho realizadas em seu estúdio, onde AODTV realiza todas as suas gravações - o que não seria diferente neste projeto. Desta maneira, o curso e o estágio supervisonado se complementam, introduzindo, gratuitamente, os educandos num processo de qualificação e capacitação profissional, que representa uma possibilidade de inserção no mercado de trabalho, gerando inclusão social.

O curso e o estágio, tanto juntos como em separado, além de reafirmarem a necessidade de se aguçar a escuta como meio natural de subversão das limitações provocadas pela deficiência visual, evidenciam a realidade de que o exercício do desenvolvimento da audição pode, inclusive, se tornar meio de capacitação/qualificação profissional altamente eficiente.

 

Todas as ações educacionais relacionadas a este projeto tiveram como público-alvo mínimo a população do município de Salvador e região metropolitana.

 

Todas as ações educacionais, com exceção do estágio, contaram com o suporte técnico incondicional da João Américo Sonorização, empresa apoiadora do projeto desde o início de sua concepção, na conseção cedendo equipamentospara seus eventos.

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